Recebi uma execução fiscal: o que devo fazer agora? Um guia para proteger seu patrimônio
- Carolina Avelar

- 29 de set. de 2025
- 5 min de leitura
O susto da carta do Poder Judiciário

Imagine abrir suas correspondências e encontrar um envelope com o timbre do Poder Judiciário: “Citação em Execução Fiscal”.
O coração dispara. Você lê e relê o documento tentando entender do que se trata, e tudo o que consegue pensar é: “Vão penhorar meus bens? Posso ter valores bloqueados nas minhas contas? Vou perder minha casa?”
Se você está passando por isso agora, respire fundo. Essa situação é mais comum do que você imagina — e há caminhos legais para resolver o problema, muitas vezes sem perder o controle do seu patrimônio.
Neste artigo, vou te explicar de forma simples e direta o que é uma execução fiscal, o que ela significa na prática e quais os próximos passos para agir rapidamente e evitar prejuízos.
O que é uma execução fiscal?
A execução fiscal é um processo judicial movido pela Fazenda Pública (União, Estado ou Município) para cobrar dívidas tributárias ou não tributárias que não foram pagas espontaneamente.
Funciona assim:
Quando o contribuinte não paga um tributo (como IPTU, ICMS, ISS, IRPF, IRPJ, entre outros), a dívida é inscrita na chamada Dívida Ativa.
Depois disso, a Fazenda Pública entra com uma ação judicial de execução fiscal para receber esse valor.
Essa ação é regulada por uma lei específica, a Lei nº 6.830/80, e dá à Fazenda Pública ferramentas rápidas para bloquear valores, penhorar bens e cobrar a dívida com prioridade.
Importante: receber uma citação em execução fiscal não significa que você já perdeu a causa. Mas significa que o relógio começou a correr e que o tempo de agir é curto.
Por que você recebeu essa execução fiscal?
Alguns dos motivos mais comuns:
Dívidas tributárias não pagas (como ISS, ICMS, IRPJ, IPTU, IPVA etc.);
Multas aplicadas por órgãos públicos;
Parcelamentos rompidos;
Erros no cadastro da empresa ou no lançamento do tributo;
Situações em que a dívida já foi paga, mas não foi baixada corretamente.
Inclusive, muitos contribuintes são surpreendidos porque a execução fiscal chega anos depois do vencimento do tributo. Isso ocorre porque a Fazenda tem um prazo de até 5 anos para cobrar judicialmente após a constituição definitiva do crédito.
O que acontece depois que a execução é ajuizada?
Assim que a execução fiscal é ajuizada, o contribuinte recebe uma citação judicial. A partir daí, o processo segue este fluxo:
Citação: você é formalmente informado da ação e tem 5 dias úteis para pagar a dívida ou garantir o juízo (vou explicar isso já já).
Penhora: se nada for feito, o juiz pode determinar a penhora de valores em contas bancárias, veículos, imóveis ou outros bens.
Leilão: bens penhorados podem ir a leilão para quitar a dívida.
Cobrança de honorários e custas: além do valor principal, são cobrados juros, multa, correção e honorários advocatícios, que geralmente começam em 10%.
Alerta importante: muitos contribuintes acreditam que podem “deixar pra depois” porque ainda pretendem discutir a dívida. O problema é que a penhora pode acontecer sem aviso prévio logo após o prazo inicial.
O que você deve fazer imediatamente após receber a execução fiscal
Aqui está o que realmente importa. O primeiro passo não é entrar em pânico — é agir com estratégia e dentro do prazo.
1. Leia com atenção a petição e a CDA
A Certidão de Dívida Ativa (CDA) é o documento que fundamenta a cobrança. Verifique:
O valor cobrado;
A origem da dívida;
O número do processo administrativo;
Se o devedor é realmente você ou sua empresa.
Muitos processos apresentam erros formais que podem anular toda a cobrança.
2. Consulte um advogado tributarista imediatamente
Esse é o passo mais importante. A execução fiscal envolve prazos curtos e linguagem técnica, e cada caso exige uma análise estratégica.
Um advogado poderá avaliar:
Se a dívida é legítima;
Se há erros formais na CDA;
Se já houve prescrição (dívida antiga que não pode mais ser cobrada);
Se há possibilidade de suspensão da execução;
Qual a melhor forma de garantir o juízo sem comprometer seu patrimônio.
Exemplo prático: muitas execuções podem ser suspensas com garantias alternativas, evitando bloqueios diretos nas contas.
3. Avalie a possibilidade de garantir o juízo
Para contestar a cobrança judicialmente, geralmente é preciso garantir o juízo, ou seja, oferecer um bem em garantia do valor cobrado. Isso pode ser feito de várias formas:
Depósito judicial (dinheiro);
Fiança bancária;
Seguro garantia judicial;
Penhora de bens específicos.
Essa etapa é crucial porque sem garantia, você pode ter bens bloqueados automaticamente.
4. Apresente defesa no prazo correto
Após garantir o juízo, você poderá apresentar os chamados embargos à execução fiscal, que são a sua defesa no processo.
Nessa fase, é possível alegar, por exemplo:
Prescrição do crédito tributário;
Erros na constituição do crédito;
Cobrança indevida ou já quitada;
Ilegitimidade passiva (você não é o responsável pela dívida);
Falhas na CDA.
O prazo para embargar é de 30 dias a partir da garantia do juízo — e perder esse prazo pode significar a perda de oportunidades importantes de defesa.
O que não fazer (e muitos fazem)
❌ Ignorar a citação. Isso não faz a execução “sumir” — pelo contrário, facilita bloqueios de dinheiro ou de bens;
❌ Esperar para ver se a Fazenda vai desistir. Ela não vai;
❌ Acreditar em soluções milagrosas na internet. Cada execução fiscal é única e precisa de análise profissional;
❌ Fazer parcelamentos às pressas sem entender as consequências. Às vezes, um parcelamento sem orientação profissional pode prejudicar a sua situação. Portanto, busque a orientação de um profissional antes de fazer qualquer parcelamento.
Como um advogado tributarista pode mudar seu cenário
Ter apoio jurídico especializado faz toda a diferença.
Um advogado experiente consegue:
Evitar bloqueios e penhoras urgentes com medidas estratégicas;
Anular execuções com base em nulidades ou prescrição;
Negociar dívidas com condições mais favoráveis;
Reduzir riscos ao seu patrimônio pessoal e empresarial.
Mas isso só é possível se o cliente nos procura logo ao receber a citação.
O tempo é o seu maior inimigo — e a sua melhor defesa
Receber uma execução fiscal assusta, mas ignorá-la é o que realmente traz prejuízo.
Com a estratégia certa e orientação jurídica especializada, é possível proteger seu patrimônio, discutir cobranças indevidas e, em muitos casos, resolver o problema antes que ele se torne irreversível.
Se você recebeu uma execução fiscal agora, entre em contato imediatamente. Cada dia conta — e agir no prazo pode ser a diferença entre resolver a situação com segurança ou ter bens bloqueados sem aviso.
Agende uma análise do seu caso e saiba qual a melhor estratégia para resolver sua execução fiscal antes que ela afete seu patrimônio e sua empresa.




Comentários