O que pode acontecer se uma empresa não pagar uma execução fiscal?
- Carolina Avelar

- 13 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
A execução fiscal é o processo judicial utilizado pelo Poder Público para cobrar dívidas tributárias (como impostos, taxas e contribuições) e não tributárias (como multas administrativas) de pessoas físicas ou jurídicas.
Quando uma empresa é executada judicialmente e não paga a dívida nem apresenta garantia para uma defesa adequada, pode sofrer uma série de consequências sérias e prejudiciais ao seu funcionamento.
Neste artigo, explico de forma objetiva o que pode acontecer se uma empresa não pagar uma dívida cobrada em uma execução fiscal.

Protesto da dívida
Desde 2012, a Fazenda Pública pode protestar a Certidão de Dívida Ativa (CDA) em cartório, antes ou durante o processo de execução fiscal.
Essa medida tem o objetivo de pressionar o devedor ao pagamento sem necessidade de ações judiciais mais complexas ou demoradas.
O protesto tem efeitos práticos bastante graves:
Inscrição do nome da empresa nos cadastros de inadimplentes, como Cartório de Protesto de Títulos e Documento, Serasa e SPC;
Restrição de crédito bancário, com aumento de exigências ou negativa de financiamentos;
Prejuízos à imagem comercial, afetando a confiança de fornecedores e clientes;
Dificuldade em renovar contratos ou obter certidões negativas, essenciais para várias atividades empresariais.
O protesto pode ser feito independentemente de autorização judicial, e não exige que a empresa seja previamente citada em execução fiscal. Ou seja, mesmo antes de uma ação judicial, a empresa pode ser surpreendida com restrições em decorrência de um protesto extrajudicial.
Além disso, a baixa do protesto só ocorre com o pagamento da dívida ou decisão judicial favorável. Por isso, é essencial acompanhar a situação fiscal da empresa e agir preventivamente para evitar esse tipo de constrangimento, que afeta negativamente a imagem da empresa no mercado.
Penhora de bens e valores
Caso a empresa não indique bens à penhora após ser citada e tomar ciência do processo de execução fiscal em seu desfavor (como permite a Lei de Execuções Fiscais), o juiz pode determinar a penhora online diretamente.
Assim, a primeira consequência prática é a penhora de bens para garantir o pagamento da dívida. Isso pode incluir:
Valores em contas bancárias (via bloqueio judicial – sistema BacenJud);
Veículos (via Renajud);
Imóveis (via penhora no cartório de registro de imóveis);
Máquinas, equipamentos e outros bens da empresa.
Leilão dos bens penhorados
Se os bens forem penhorados e a empresa não apresentar defesa, esses bens podem ser levados a leilão para satisfazer a dívida.
Isso pode afetar a operação da empresa, especialmente se forem bens essenciais ao funcionamento (como máquinas ou veículos de entrega).
Dificuldades operacionais e restrições financeiras
Uma execução fiscal em andamento, especialmente com penhora de contas bancárias, pode:
Dificultar o pagamento de fornecedores e funcionários;
Impedir novos financiamentos ou operações bancárias;
Levar à perda de crédito no mercado.
Redirecionamento da dívida aos sócios (em alguns casos)
Se for comprovado que houve dissolução irregular da empresa, ou atos de gestão com abuso de personalidade jurídica (fraude, desvio de finalidade, confusão patrimonial), o juiz pode redirecionar a execução fiscal aos sócios ou administradores, atingindo seu patrimônio pessoal.
Essa é uma medida grave, mas cada vez mais aplicada pela jurisprudência, especialmente quando a empresa está inativa ou não localizada.
Impossibilidade de participar de licitações
Empresas com débitos inscritos em dívida ativa podem ser impedidas de participar de licitações públicas, o que afeta diretamente aquelas que prestam serviços ou fornecem produtos ao setor público.
Conclusão
Ignorar uma execução fiscal pode colocar em risco a saúde financeira e a continuidade da empresa.
Por isso, ao receber uma citação em execução fiscal, o ideal é procurar um advogado especializado em Direito Tributário o quanto antes, para avaliar estratégias de defesa, possibilidade de parcelamento ou medidas para evitar a penhora de bens essenciais.
A atuação preventiva e estratégica pode evitar prejuízos maiores — inclusive a falência da empresa.




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